
A triste data de 27 de setembro de 2009 ficará marcada na memória de todos os ouro-pretanos como a data que se despede desse mundo a ilustre Ninica; a Ninica “da Terra”; a Ninica da “Natividade”.
Maria da Conceição Pereira, era esse o seu nome de batismo. Nome que eu, particularmente, pronunciei muito nos últimos meses quando no auxílio jurídico a ela e sua família.
Assim, de forma curiosa e muito engraçada conheci um pouco da verdadeira história de Ninica pelas palavras do Sr. José Lourenço Ferreira (irmão materno dela) e de sua esposa, Sra. Maria Itacolomita. História que, por pouco, não chegou a acontecer, pois logo que ela nasceu, junto ao seu irmão gêmeo (isso mesmo!), cogitaram em deixá-la morrer por medo de que tivesse alguns problemas estruturais e não sobrevivesse por muito tempo. A família resolveu aceitá-la como ela era, parece, prevendo que algo de muito especial nela repousava.
Em meio a imensas dificuldades, Ninica se criou, cresceu e envelheceu. Sempre divertida, em gargalhadas atemorizava os incautos desconhecidos como se dissesse: Ei você!!! Eu sou nativa!!! Eu sou única!!! Eu sou especial!!!. Alguns diziam que ela era “doida”, mas uma “doida sem maldade". Por isso, é importante que resgatemos essa “doidice” inocente, característica simples, única, realista e, por isso, imortal em nossos corações. Afinal, Ouro Preto é mesmo uma terra de “doidos” e apaixonados (vide Tiradentes, Aleijadinho, Tomás Antônio Gonzaga; Sinhá Olímpia e tantos outros que já passaram por aqui).
Fato notório é que, recentemente, até composições musicais e propagandas de economia de água foram realizados por terceiros utilizando-se da sua figura singular. À família, eu disse que deveriam tomar, tão logo, providências para auferir algum benefício em virtude da exposição das imagens, sons e da presença da Ninica em eventos, explorando esses direitos da personalidade em prol do melhor sustento e qualidade de vida desta. No entanto, a vida dela, por um capricho, não esperou por esse momento.
Bem, por fim, resta a minha saudade e a de todos ouro-pretanos nativos e de coração. Ninica era uma flor de cultura que agora enfeita os campos além da imaginação.
Um abraço à saudosa Ninica!!!
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